segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mudras


Os deuses orientais são representados quase sempre através de figuras em poses graciosas, descrevendo gestos com as mãos ou mesmo com todo o corpo. Tais gestos e posturas não são casuais e tem uma denominação especial - mudras.
A palavra "mudra" possui vários significados: gesto, posicionamento místico das mãos, símbolo, selo. Além de representar plasticamente certos estados ou processos de consciência, as mudras podem também nos conduzir às dimensões que simbolizam.
Segundo a estudiosa Ingrid Ramm-Bonwitt, provavelmente as mudras se originam na dança indiana, que é considerada uma expressão da mais elevada religiosidade e nos revela uma espécie de metafísica do gesto, uma linguagem do corpo na qual pensamentos e sentimentos são expressos simbolicamente. O movimento de todo o corpo, a postura da cabeça e do tronco, a posição dos braços e a modulação das mãos assumem o lugar da palavra. Alegria, triunfo, solicitação do amor, saudade, resignação, ira, medo, e assim por diante, ganham expressão através de gestos estabelecidos (mudras) precisos. A presença das mudras é tão significativas na tradição indiana que um dançarino é capaz de expressar uma lenda por completo apenas através das posições das mãos e dos movimentos dos olhos. Ao analisar as figuras de seus deuses, podemos desvendar suas principais atribuições através de seus gestos e posturas; para exemplificar, tomaremos as representações do Buda indiano.
A arte budista primitiva não representava plasticamente o Buda em respeito a um de seus princípios, segundo o qual a forma - o mundo material - não era importante. Mas, em 325 a.C., os exércitos de Alexandre Magno invadiram a Ásia, trazendo consigo os hábitos dos gregos, para quem não era possível adorar um deus do qual não tivesse uma imagem. Envolvidos pela cultura grega, os artistas da região Gandhara (ao Norte do Paquistão) criaram Budas à imagem e semelhança dos Apolos gregos, respeitando porém, alguns traços descritos nas escrituras sagradas, como a urna, os lóbulos longos das orelhas e o crânio proeminente. A urna é representada por um ponto ou pedra preciosa entre as sobrancelhas e simboliza o terceiro olho ou o olho da sabedoria; os lóbulos alongados indicam o uso de brincos pesados e preciosos, abandonados por Buda num gesto de renúncia às riquezas materiais; a protuberância craniana, interpretada às vezes como um penteado diferente pela cultura ocidental, simboliza sabedoria.
A partir da iconografia recolhida sobre Gautama Buda, ficaram conhecidos seis gestos típicos de mãos na representação do Deus.
• Segundo a lenda, o gesto da meditação (Dhyani-Mudrá) reproduz sua atitude quando, sentado, sob a árvore bodhi (figueira - também conhecida como "árvore da meditação"), mergulhou em profundo estado meditativo. As mãos repousam relaxadas, uma dentro da outra, enquanto a consciência do presente é suspensa. Através dessa mudra, Gautama Buda chegou ao nirvana, estado superior onde toda ansiedade desaparece. Os manuscritos relatam que ele conservou a postura por mais de quatro semanas, com o corpo completamente imóvel.
• A segunda mudra é conhecida como gesto da iluminação ou gesto do apelo das testemunhas (Bhumisparsha-Mudrá). A mão direita toca o solo com as pontas dos dedos, enquanto as costas da esquerda repousam sobre os pés cruzados um sobre o outro. Depois de atingir o nirvana, Buda teria sido tentado por Mara, o Deus do Mal, que ofereceu suas belas filhas, o domínio sobre o mundo, e até mesmo sua própria vida, para que pudesse experimentar também o nirvana. Ante as negativas de Buda, tentou convencê-lo do quão difícil seria transmitir seus conhecimentos à humanidade cheia de ignorância, ódio e desconfiança. Este apelo encheu de dúvidas o coração de Buda, mas resistindo à tentação, ele se propôs a não matar a fome de apenas um, e sim de todos - doravante atuaria como um mestre, para que outros pudessem encontrar a salvação. Numa última tentativa, Mara propôs-lhe que, como senhor de um mundo imaterial, Buda não teria direito sequer ao pequeno pedaço de terra sobre o qual estivera sentado. Mas, por suas boas ações em vidas anteriores, o mestre havia conquistado algum direito sobre aquele terreno. Assim, tocando no solo com a mão direita ele convocou a terra por testemunha; uma divindade se ergueu confirmando que ele havia cumprido com seus deveres e tinha direito de permanecer na Terra para anunciar sua doutrina.
• A terceira mudra é conhecida como gesto de pregação ou gesto de girar a roda (Dharma-chakra-Mudrá). As duas mãos se encontram erguidas diante do peito, a esquerda acha-se voltada para o corpo, um pouco mais elevada que a direita, na direção oposta. Os polegares e indicadores se tocam formando um circulo. O gesto sugere que Buda, pela primeira vez, colocara em movimento a "roda da doutrina", proferindo seu famoso discurso de Benares, no bosque das gaselas, aos cinco díscipulos que o haviam abandonado.


O PODER CURATIVO DAS MUDRAS
As mudras são usadas como método de cura na arte curativa indiana, despertando e/ou harmonizando as energias dos chacras. Tanto na Índia como na China, pés e mãos estão em estreita ligação com os principais órgãos do nosso corpo.
Há uma correspondência entre os dedos, os chacras e os cinco elementos cósmicos.
DEDO CHACRA ELEMENTO
Polegar Solar Fogo
Indicador Cardíaco Ar
Médio Laríngeo Espaço (éter)
Anular Básico Terra
Mínimo Sexual Água
• Ao tocar o mínimo, o elemento água é devolvido ao organismo. Boca seca, olhos vermelhos e secos, mau funcionamento dos rins são características da falta desse elemento no corpo. Essa mudra também estimula o paladar.
• Quando o anular toca o polegar, fortalecemos as unhas, os cabelos, os músculos, ossos, revigoramos a pele e desenvolvemos o olfato.
• O contato do dedo médio com o polegar estimula a audição.
• A união entre o polegar e o indicador reaviva as energias vitais, o tato, o sistema nervoso e o cérebro. A prática regular dessa mudra permiti curar insônia, falta de memória e depressão, aumenta a inteligência e revela novos horizontes espirituais.
• O toque do polegar direito com o esquerdo aumenta o calor do corpo e o apetite.
A postura prana mudra, onde o polegar toca simultaneamente o mínimo e o anular, ativa apele, a língua, o nariz e os pulmões, facilitando a absorção do prana (energia vital).
Já a apana mudra (onde anular e médio são tocados ao mesmo tempo pelo polegar) garante a eliminação do prana reabsorvido: estimula os rins, limpa a bexiga, regulariza a menstruação e elimina em forma de suor o excesso de água do corpo.
Cada mudra pode ser praticada por até 45 minutos numa postura de meditação ou mesmo deitado.
Fonte: http://www.iis.com.br/~dia/

Um comentário:

Luciana Arruda disse...

Bacana saber um pouco mais sobre os 'Mudrás', e ainda tem tanta coisa a estudar, né?! são muitos os gestos e significados... legal compartilhar!